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» [25/02/2006] SounD(/)ZonE [Antevisão - Novo Mini-CD Neurotic]
» [18/11/2005] Metal Incandescente [Entrevista Técnica]
» [03/09/2005] Armageddon
» [18/03/2005] MetalOpenMind
» [01/02/2005] Blast!
» [01/08/2004] Arauto Metalico
» [15/03/2004] Opüskulo
» [04/03/2004] Caminhos Metálicos
» [22/01/2004] Metal Incandescente
» [21/01/2004] The Music Basement
» SounD(/)ZonE [Antevisão - Novo Mini-CD Neurotic] [25/02/2006] www.soundzone.blogspot.com
Após a honrosa presença, no passado dia 18 de Fevereiro, na abertura do concerto dos irlandeses Primordial, na Associação de Músicos de Faro, os algarvios Neurotic têm agora mais um requintado compromisso ao vivo, desta feita no dia 11 de Março, em Corroios (Almada), ao lado dos americanos Testament. Isto demonstra o estatuto que esta banda de death metal de Lagos já goza no nosso país e daí acresça o interesse pelo seu próximo trabalho. Sabendo que já decorrem as gravações do seu próximo mini-CD, a SounD(/)ZonE decidiu colocar umas breves questões a Ângelo Rodrigues (guitarrista, produtor e principal compositor), que não prevê ainda data de término para as gravações, mas afirma que este será um regresso ainda mais "death metal"!
SounD(/)ZonE - As gravações do vosso novo mini-CD já decorrem desde Setembro, certo?
Ângelo Rodrigues - Não diria que decorrem desde Setembro, mas sim que começaram em Setembro. Aliás, finais de Agosto, para ser mais exacto. As gravações não têm sido contínuas. Desde então, tive muito tempo parado, por motivos vários, entre os quais, pouca disponibilidade e alguns concertos importantes agendados. Estamos também a tocar com dois novos músicos ao vivo, o que também me tirou muito tempo – ensaios, etc.
SZ - Que fases da gravação já estão concluídas?
AR - Até à data, só temos as faixas de bateria gravadas. Falta, portanto, captar o resto dos instrumentos – guitarra, baixo e voz –, proceder à mistura dos mesmos e masterizar.
SZ - As gravações têm decorrido sem problemas? Está tudo a ficar conforme desejam?
AR- Há pouco para avaliar mas, sim, o pouco que gravámos está excelente. O Marco fez um trabalho incrível na bateria.
SZ- Tu é que és o principal compositor da banda e és também quem produz os discos, certo?
AR - Sim, exacto...
SZ - Tens alguma formação nesta área?
AR - Não. Tenho apenas a experiência de ter produzido as anteriores demos e álbum dos Neurotic. Tudo o que sei sobre produção é fruto de muita pesquisa, muito tempo a experimentar e muita paciência...
SZ - A masterização ficará também a teu cargo?
AR- Neste CD sei exactamente o “som” que quero. Se eu não conseguir antigir o que tenho em mente em relação à produção, tenho prevista a possibilidade de entregar essa tarefa a alguém mais competente.
SZ - O que podemos esperar dos novos temas dos Neurotic?
AR - Em relação à sonoridade, podem esperar uma vertente ainda mais Death Metal do que já fizemos até agora. Continuamos a manter aquele mid-tempo característico de Neurotic, com riffs “pesadões”, mas também incluímos mais partes rápidas. Os temas são longos, com uma média de 6/7 minutos, mas existe mais dinâmica. Para quem gosta do estilo que os Neurotic têm vindo a fazer, irá gostar com certeza.
SZ - Quais os aspectos que estás a tentar melhorar neste novo material?
AR - No último álbum talvez tenhamos pecado por incluir todos os temas que achávamos bons. Consequência disso: há temas de diversas épocas e que abordam diversas sonoridades. Ficamos assim com um álbum heterogéneo mas longo e algo “maçudo”. Acho que esse é o principal factor que melhoramos neste trabalho. Por um lado, apuramos o melhor do melhor, por outro, não dispersámos tanto a sonoridade, resultando num trabalho mais coeso.
SZ - A editora responsável pelo seu lançamento será de novo a Nebula Records e a distribuição ficará a cargo da Dark Music Productions?
AR - Quanto a isso, ainda é muito cedo para me pronunciar... Depende das propostas que surgirem.
SZ - Já existe nome e data para o lançamento do novo trabalho dos Neurotic?
AR - Nome já! Data, nem por isso. Ainda não tenho noção de quando iremos concluir as gravações. É uma consequência de fazer tudo sozinho e não ter prazos. Isso é bom e é mau. Por um lado, sei que obtenho o melhor trabalho possível dadas as condições, mas por outro, corre-se o risco de todo o processo se arrastar no tempo na ausência de um prazo definido. Em relação ao nome será «[In]Human». Existe um trabalho conceptual em torno do título, das letras e do artwork.
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» Metal Incandescente [Entrevista Técnica] [18/11/2005] http://metalincandescente.blogspot.com
Guitarrista, compositor e produtor dos Algarvios Neurotic, Ângelo Rodrigues foi o músico seleccionado para iniciar no METAL INCANDESCENTE uma secção de entrevistas técnicas na qual executantes conhecidos falam do instrumento que tocam. O músico fez uma breve retrospectiva do seu percurso de guitarrista mas não escondeu a paixão que nutre pela bateria.
METAL INCANDESCENTE - Fala-nos do teu percurso enquanto guitarrista. Quando e porque começaste a tocar?
Ângelo Rodrigues - Fui influenciado por um amigo que adquiriu uma guitarra eléctrica, mas à época [NR.: primeira metade dos anos 90] eu era baterista, já tinha um ano de aulas de bateria. Mais tarde, em 1995 ou 1996, esse amigo mostrou-me um livro de pautas dos Metallica para guitarra. Experimentei tocar alguns riffs e "passei-me", a sensação de poder reproduzir os temas da minha banda favorita da altura era magnífica. Então, pedi uma guitarra acústica emprestada e continuei a usar esse livro. No Verão seguinte fui trabalhar para poder comprar uma guitarra. Mais tarde vendi o kit de bateria e adquiri um bom amplificador. Contudo, a bateria é, ainda hoje, o instrumento ao qual presto mais atenção quando oiço música.
MI - És um autodidacta ou, enquanto guitarrista, frequentaste alguma escola de música?
AR - Ambos. De início aprendi a tocar sozinho, mas há uns anos frequentei uma escola de música onde tive aulas de Guitarra Clássica, Formação Musical e Conjunto Coral. Mais tarde abandonei, já que era difícil conjugar os horários da universidade, da escola de música e do emprego. Ainda assim, frequentei até ao 4.º Grau.
MI - Que guitarristas mais te influenciaram?
AR - Inicialmente foram o James Hetfield e o Kirk Hammett dos Metallica, passei muitas horas a tocar canções deles. Nessa fase, o Dimebag Darrell [NR.: falecido guitarrista dos Damage Plan, ex-Pantera] também me inspirou. O homem dominava a guitarra, aqueles harmónicos pareciam vindos do inferno.
Posteriormente, descobri outras bandas e músicos. Nos últimos anos, os guitarristas que mais me marcaram foram o Jeff Loomis (Nevermore), a dupla Fredrik Thordendal e Mårten Hagström (Meshuggah) e o Trey Azagthoth (Morbid Angel). Fora do Metal, venero o David Gilmour dos Pink Floyd, que faz os melhores solos do mundo!
MI - Nos primeiros anos, que estratégias usaste para evoluir?
AR - Basicamente tocava peças das bandas que ouvia, é melhor do que treinar exercícios chatos. Passei muitas horas a praticar os clássicos dos Metallica, tanto a nível rítmico como de solos. Aprendia os temas e depois acompanhava-os com o CD. Esta é uma boa forma de aprender a tocar dentro do tempo e a calibrar o nosso "metrónomo interno".
MI - Que material costumas usar, quer ao vivo quer em estúdio?
AR - O material que uso não varia muito, à excepção do amplificador, por questões de logística. Ao vivo toco com o modelo que me for disponibilizado, mas o meu amp é um Marshall Valvestate. De resto, uso uma guitarra Ibañez RG7-620, cordas D'Addario e palhetas Jim Dunlop Jazz III.
Na altura em que comprei a RG7 a D'Addario era a única marca que vendia conjuntos de sete cordas, mas antes disso acrescentava uma corda de baixo às outras seis, o que saía caríssimo. Também tenho uma B.C. Rich, que foi a minha primeira guitarra, mas a Ibañez é o modelo principal.
Quanto a pedais de efeitos uso o DD-20 (da Boss), especialmente indicado para delays. Também uso cabos Cordial, de preferência com jacks Neutrik. São caros mas bastante resistentes. Nas gravações uso um microfone Shure SM57.
MI - Gostas de experimentar técnicas e efeitos novos ou és um purista?
AR – Experimento técnicas, claro, devemos sempre aprender coisas novas e evoluir. Quanto a efeitos só uso o delay, que serve para dar consistência aos solos, não preciso de recorrer a outros efeitos. Relativamente à distorção uso a do amplificador, adoro a distorção dos Marshall.
MI - Costumas improvisar?
AR - Não, a menos que necessite de o fazer ao vivo. Em condições ideais gosto de tocar os temas fielmente, quer sejam originais ou covers. Sou um perfeccionista.
MI - Em média, quantas horas semanais ensaias, quer sozinho quer com a banda?
AR - Sozinho, cerca de duas horas por semana. É muito pouco, mas actualmente nem isso consigo ensaiar. O emprego e as inúmeras actividades relacionadas com a banda deixam-me pouquíssimo tempo para me dedicar à guitarra, ainda mais agora que os Neurotic estão a gravar e, mais uma vez, estou a comandar os trabalhos de estúdio. Com o grupo ensaio duas vezes por semana, num total de seis ou sete horas. Quando há espectáculos ensaiamos mais tempo.
MI – Tens por hábito praticar exercícios?
AR - Depende da disposição e do tempo disponível, mas quando o faço pratico escalas, quer em palhetada quer em legato. Exercito-me nalguns modos diferentes, tento variar as posições dos modos no braço da guitarra para abranger as escalas o mais possível. Pratico também exercícios cromáticos ao longo do braço do instrumento e, mais recentemente, tenho-me aventurado no sweep picking. Para a aprendizagem de exercícios aconselho o vídeo instrucional do John Petrucci, dos Dream Theater.
MI - Na tua opinião, do que é que um guitarrista de Death Metal necessita para alcançar um bom nível técnico?
AR - Para isso, no Death Metal ou noutro género qualquer, é necessário praticar muito, ser disciplinado e possuir uma boa formação musical. No Death mais técnico em particular há que dominar o universo dos compassos e sua subdivisão. Além disso, é fundamental conhecer escalas, progressões de acordes e usar as técnicas comuns a todos os géneros de metal – legatos, harmónicos, tappings, string skipping, sweep picking...
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» Armageddon [Setembro 2005] www.armageddon.com.sapo.pt
Armageddon: Antes de mais nada, vocês mudaram o nome da banda, de “Breakdown” para a designação actual “Neurotic”. Porquê?
Ângelo: Um motivo muito simples. O nosso estilo evoluiu para outros contornos que já não se enquadravam com a ideia inicial, nem com o nome. Fez todo o sentido mudar o nome.
Conta-nos um pouco do percurso dos Neurotic até aos dias de hoje.
Assim por alto… Gravamos uma demo em 2001 sob o nome Breakdown – Incognita. Em 2002 registamos mais 3 temas e mudamos o nome para Neurotic. Ambas as demos praticamente não foram divulgadas. Logo após a demo começamos a trabalhar num álbum. Fizemos alguma promoção e conseguimos um contrato de distribuição com a Dark Music Productions. De momento estamos a registar um novo trabalho.
Qual tem sido a aceitação das pessoas perante este novo álbum?
Penso que, para uma banda vinda do “nada”, tem tido uma boa aceitação. Tem superado as minhas expectativas. Muita gente comprou o álbum directamente à banda assim que ficou disponível e, dos balanços que tenho recebido da distribuidora, também temos vendido números interessantes a partir da DMP, inclusive na França, se não me engano. Em relação à imprensa a aceitação tem sido também boa. Regra geral, até costumamos concordar com as críticas em quase tudo. Claro que há excepções. Infelizmente, ainda não estou a par de feedback do estrangeiro. Também era interessante ler algo mais imparcial.
E perante os vossos concertos?
Desde que lançamos o “The Rebirth of Sin” noto que há mais gente a aparecer nos concertos que conhece, de facto, Neurotic. Isso é muito bom e motivante! Não somos uma banda que dá muitos concertos e nem toda a gente tem Internet para conhecer o nosso trabalho. Tenho noção que falta ainda atingir muito território. Felizmente, os poucos concertos que demos, de promoção ao álbum, foram todos com bandas de destaque, o que nos deu também mais destaque.
Quais as bandas que mais vos influenciam?
Falando por mim: Nevermore, Morbid Angel, Meshuggah.
Por que razão decidiram regravar os temas da demo anterior, e coloca-los no álbum?
Os temas eram demasiado bons para ficarem esquecidos numa demo que nem sequer foi divulgada. Encaixavam perfeitamente no resto do material e, aliás, foi a partir desses 3 temas que marcamos a nova sonoridade da banda.
Na vossa opinião pessoal, vocês preferem tocar ao vivo ou gravar temas?
Bem, eu só posso falar por mim. Eu gosto muito da experiência de gravar os temas. É cativante gravar algo e depois adicionar ideias e ver o tema crescer. Chega a ser viciante! Mas… Tocar ao vivo é algo fantástico também. Acho que não faz sentido criar e depois não puder executar. Só assim tem piada para mim. Portanto… Opto por: tocar ao vivo.
Os Neurotic já tocaram em pequenos palcos, mas também já tocaram ao vivo em grandes palcos ao lado de outras bandas conhecidas. Quais foram os concertos que ficaram mais na vossa memoria, e quais as bandas de maior prestigio que já partilharam o palco?
Os concertos com Primordial e Decapitated, sem dúvida alguma! Foi uma experiência única. Ainda por cima são bandas das quais gosto muito. Tivemos o prazer de tocar no mesmo palco, de assistir aos concertos e ainda tivemos o prazer do convívio.
Sei que já estão a trabalhar no vosso próximo registo intitulado “[In]Human”, e terá em principio quatro novos temas. Que diferenças e/ou semelhanças podemos encontrar entre “The Rebirth of Sin” e “[In]Human”?
É difícil falar do [In]Human com semelhanças e diferenças. Prefiro antes falar do que se pode esperar deste registo. Continuamos a manter alguma diversidade na sonoridade dos temas. Não há temas “iguais”. Ouvir um álbum sempre igual do inicio ao fim acho pouco interessante. Curiosamente, também usamos esse conceito no “The Rebirth of Sin” e algumas vezes acusaram-nos de ter um CD repetitivo. Nunca percebi muito bem… Se calhar se fizéssemos um CD ao género de Vader já não achavam repetitivo. Mas fora ironias, este trabalho apresenta uma “veia” ainda mais Death metal. No passado já tínhamos dado a entender o caminho, agora percorremos um pouco mais desse caminho. Temos temas mais rápidos mas também continuam a haver temas num compasso mais lento, ao estilo do trabalho anterior. São 4 temas ao nível dos melhores temas que já fizemos. Quem gosta do nosso trabalho não vai ficar desiludido de certeza.
Para quando um concerto aqui nos Açores? Certamente que eu e muitos outros iríamos adorar.
Ora aí está uma excelente ideia! Sempre quis conhecer os Açores! Só não sei se será com os Neurotic. De momento acho muito difícil isso se concretizar. Mas nunca se sabe. Se houver alguma hipótese viável vamos aí com todo o prazer.
Querem acrescentar mais alguma coisa aos leitores do Armageddon?
Quero antes agradecer ao Armageddon esta oportunidade. De resto, espero que tenha contribuído para despertar algum interesse sobre o passado recente e o futuro dos Neurotic. O que se avizinha é demolidor! Saúde para todos \m/
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» MetalOpenMind [18/03/2005] www.metalopenmind.com
Oriundos do sul de Portugal, mais precisamente de Lagos no Algarve, os Neurotic (ex-Breakdown) vêem finalmente seu debut «The Rebirth of Sin» distribuído oficialmente pela Dark Music Productions. A propósito desta nova etapa na carreira da banda o MOM falou com seu guitarrista e mentor Ângelo Rodrigues para sondar um pouco mais sobre este promissor projecto de música extrema.
MOM: Primeiramente quero agradecer-te pela disponibilidade e o interesse em participar neste 1º bate-papo/entrevista oficial do fórum Metal Open Mind. As pessoas do meio underground já ouviram falar de vocês, por certo, muitos deles já conferiram o vosso trabalho através de demos e/ou shows, mas não tenho dúvidas de que muitos outros lhes seguirão em 2005. Reconheço nos Neurotic um tremendo empenho enquanto banda - determinada e batalhadora - desde meus primeiros contactos com vossa música a dois anos atrás. De lá para cá foi um crescendo que agora culmina na edição de vosso debut oficial. Um marco importante na carreira de uma banda e que estabelece (na maior parte dos casos) a viragem na vida profissional dos músicos envolvidos.
Acreditas que depois de 6 anos de carreira chegou a hora da verdade para os Neurotic? Por favor, conte-nos as novidades e os planos para 2005.
Ângelo: Antes demais, muito obrigado pelas palavras de apoio e reconhecimento! Só nos dão mais força para continuar a trabalhar para fazer sempre melhor!
Bem, primeiro de tudo, estes 6 anos até nem são bem 6 anos… Por momentos até me assustei ao pensar que já estamos a ficar velhos! Na verdade pode-se dizer que começamos mesmo a sério quando gravamos a nossa primeira demo em 2001. Ainda estamos no início de 2005 de qualquer das formas. Os 5 / 6 anos incidem ainda na parte de primeiros ensaios de qualquer banda amadora… Mas adiante!
Para este ano de 2005 temos o nosso álbum finalmente disponível. A editora está a agendar alguns concertos para promover o nosso trabalho. Destaco duas datas em Maio com os polacos Decapitated e com os Irlandeses Primordial. Sem dúvida um passo importante para a nossa divulgação. Vamos lançar muito em breve, ainda até ao final deste mês de Março, um novo website, completamente remodelado, por forma a revitalizar o nosso lançamento e também para apoiar as vendas on-line do CD e das novíssimas T-shirts! Ainda sem data definida, planeio começar a gravar material neurótico novo. E sim, acho que com todos estes acontecimentos à nossa volta, talvez a nossa hora da verdade seja agora. Vamos a ver como Portugal e arredores reage aos Neurotic…
MOM: Sem dúvida ! É muito comum ficarmos espantados com alguns óptimos debuts vindo dos EUA e, na maioria dos casos, as bandas já se mexem em território local a diversos anos. Todo este processo de amadurecimento é vital para estruturar uma carreira. Principalmente quando se trata de bandas de heavy metal, onde (teoricamente) um dos princípios é a humildade e o empenho colectivo. Mas diga-me, porquê Neurotic? Vocês são indivíduos emocionalmente instáveis? Musicalmente não parecem nada instáveis...
ÂNGELO: ehehehe Nada disso! Não tem mesmo nada a ver com ser emocionalmente instável. Queríamos mudar de nome pois na altura achamos que o nome Breakdown já não se adequava à nova sonoridade da banda. Foi um nome que surgiu a propósito já não sei do quê, acabou por soar bem e ficou! Se formos a ver, há tantos nomes que não têm mesmo nada a ver com nada mas que a gente se habitua e nem os pomos em questão. Veja-se por exemplo Pantera ou mesmo Metallica, o que raio é “Metallica”?
MOM: E quanto ao som dos Neurotic, consegues defini-lo? Que tipo de público estará apto a compreender e admirar a vossa música? Em suma, quais são as vossas maiores influências?
ÂNGELO: Pergunta complicada… É difícil definir o nosso som, até porque estamos sempre a tentar progredir e aperfeiçoar o nosso estilo. Mas em traços gerais diria que, neste álbum, temos influências de Thrash, mas um Thrash mais pesado, mais “riff oriented”, se é que se pode definir assim... Temos também Death… Ao fim e ao cabo é um misto que não sei bem descrever. As coisas saem de forma espontânea e não planeadas por isso é complicado Quanto às influências, pessoalmente gosto muito de Meshuggah, Morbid Angel, Nevermore, Nile… Isso acaba por influenciar a composição sem dúvida. Acho que o pessoal que goste dessas bandas não vai desgostar de ouvir Neurotic.
MOM: Em relação ao lançamento oficial do álbum «The Rebirth of Sin», haverá alguma novidade "extra" em relação ao Cd promocional que vocês gravaram em 2003? A propósito, vocês assinaram algum contrato discográfico? Haverá distribuição internacional?
ÂNGELO: O álbum, agora lançado, é exactamente o mesmo que usei para a nossa promoção junto das editoras, zines, etc. Promoção essa que resultou no contrato que assinamos. O CD já tinha uma produção acima da média, na minha opinião, e regravar o álbum só iria inviabilizar o “negócio”. No entanto, há diferenças a apontar a nível do artwork. Temos um booklet que contém agora fotos e as letras dos temas! O contrato que assinamos com a Dark Music Productions é um contrato de distribuição e sim, está implícita distribuição / promoção no estrangeiro.
MOM: Por falar nas letras, quem é o responsável pelo conteúdo lírico dos Neurotic? Acredita que o ser humano se encontra num período de mutação em relação às crenças do sagrado? Fala-me desse Deus perverso de "Wicked God"...
ÂNGELO: Em relação às letras, o mérito é todo do João. É ele que escreve tudo e nenhum de nós sequer interfere nisso. Confiamos totalmente nas suas letras e tem liberdade total :-). Quanto a esse tal período de mutação até é bastante provável. O avanço tecnológico tem vindo a esclarecer muitas coisas, muitas delas em conflito com os mitos religiosos. Pessoalmente sou ateu, mas não tenho nada contra a religião. Algumas letras até podem falar disso mas é de um modo saudável e não temos nenhuma intenção anti-cristã. Se alguma letra foca mais esse aspecto é porque é uma coisa que nos toca a todos e porque surgiu determinada ideia ou conceito. Não há aqui nada além disso.
MOM: Uma vez que mencionaste o vocalista João como responsável pelas letras, aproveito então para perguntar sobre os teus companheiros de banda. Vocês estão todos juntos desde o princípio com os Breakdown, por isso já devem conhecer-se muitíssimo bem. Quais são as principais qualidades (musicais e pessoais) de cada elemento dos Neurotic?
ÂNGELO: Sim, é verdade... Estamos todos juntos desde a era Breakdown. Eu até já os conhecia a todos, à excepção do Marco, antes de sequer pensar em formar a banda. Há de facto um grande entendimento musical entre nós. Também há conflitos, é normal, mas no geral as coisas costumam correr sempre bem e é um prazer tocar com aqueles gajos :-)
Não vou aqui entrar em detalhes das qualidades de cada um de nós... Mas, assim por alto... Só para não fazer uma desfeita... Marco: dedicação e empenho; Ino: musicalidade e competência; João: contributo nos arranjos e cultura; e eu... Sobre mim outros falarão! Não muito mal espero :-)
MOM: Bem, podes ficar descansado que não perguntarei pelos vossos defeitos :-). Agora a sério, os Neurotic são uma banda do Algarve, uma região predominantemente turística e sem grande tradição em termos de bandas de metal pesado. Quais são as maiores dificuldades / desvantagens de ter uma banda fora do eixo Lisboa-Porto? Se não fosse a internet as coisas seriam ainda muito mais difíceis, não é?
ÂNGELO: As maiores dificuldades são o pouco número de locais para dar concertos, o pouco público, etc. Não há praticamente concertos nenhuns por estas bandas. Há um às vezes e tal… Festivais temos o Algarve em Chamas e mais um ou dois. De resto, se formos comparar a quantidade de concertos com a zona do Porto e Lisboa a diferença é enorme. Outra dificuldade é arranjar concertos fora. E mesmo quando se arranja é complicado… A deslocação é mais complicada, é mais longe, mais dinheiro que se gasta, etc.
Se não fosse a Internet 95% da nossa divulgação / exposição não existia simplesmente! É um facto que não há como negar. A internet tem sido um aliado vital aos Neurotic.
MOM: Por falar em internet, qual foi o feedback internacional mais positivo que os Neurotic já obtiveram até hoje? Vocês costumam enviar material para as vossas bandas de eleição?
ÂNGELO: De feedback internacional só mesmo a partir do site Garageband.com onde chegamos a ter um tema em #46 e outro em #53 no top do Metal. Recebemos montes de criticas do pessoal que lá está inscrito. Desde USA até Alemanha, Canadá, etc., muita coisa mesmo. Cá está mais uma coisa que sem a internet nunca era possível! Hmmm nunca enviamos material nosso para nenhuma banda...
MOM: Como idealizas o futuro dos Neurotic?
ÂNGELO: Pergunta inesperada essa! Não idealizo nada de outro mundo. Poder compor a nossa música e poder dá-la a conhecer, quer através de CDs, quer através de concertos, já era um futuro bastante positivo. Tudo o que vier por acréscimo será bem-vindo. Vamos continuar a trabalhar e depois logo se vê.
MOM: Para encerrar deixo-te espaço aberto para uma mensagem a todos os nossos leitores lusófonos apreciadores de música extrema. Boa Sorte !!!
ÂNGELO: Antes de mais, muito obrigado pela oportunidade. Esta foi, sem dúvida, a entrevista que mais gozo me deu a responder até à data ! Aos leitores do MOM, agradeço pelo interesse e a atenção dispendida. Para quem não nos conhece, pode sempre ouvir alguns temas no nosso site, ou até mesmo ver alguns vídeos ao vivo. Muita saúde, é o que vos desejo, em nome dos Neurotic. Vemo-nos num concerto por aí! Apareçam para curtir um som à maneira :-)
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» Blast! [#7 Fevereiro/Março 2005] www.blastonline.web.pt
Com o álbum de estreia “The Rebirth of Sin” os Algarvios NEUROTIC assinalam a sua entrada na cena nacional… e que entrada! Fomos à descoberta desta jovem e promissora banda, e em conversa com Ângelo (guitarra) ficamos a saber mais sobre o passado e as expectativas para o Futuro.
Fala-nos sobre este vosso álbum de estreia…
Bom... Pode se dizer que o álbum representa todo um trabalho que os Neurotic tinham vindo a desenvolver desde a nossa última demo de 2002. É um álbum que resume bem o que os Neurotic foram nesse ano e abriu-nos diversos caminhos quanto à composição. Podemos contar com temas pesados, poderosos, numa veia de thrash moderno pesado bem como death e sei lá mais o quê! Nunca tivemos regras quanto à composição e penso que conseguimos obter um resultado final bem heterogéneo. Quanto às gravações, como é sabido, decorreram no LAC, na nossa própria sala de ensaio. Decidimos voltar a gravar por nós mesmos. Aproveitamos toda a experiência que tinha obtido na gravação e produção das duas demos anteriores, e tentamos fazer um álbum com o melhor que sabíamos, tanto em temas como em produção e fazer uma espécie de tudo ou nada, ou seja, dar o nosso melhor e ver o que aconteceria. Não tínhamos nada a perder e o resultado é este “The Rebirth of Sin” pronto para ser distribuído! Não nos arrependemos em nada e valeu muito a pena todo o trabalho de meses dispensado naquela sala de ensaio e em frente ao PC!
Valeu a pena, sem dúvida, o resultado final surpreende qualquer ouvinte… e conteúdo lírico deste disco? O que vos inspira?
Não é bem a minha área mas posso adiantar que as letras são genéricas. Abordamos temas vários como religião, clonagem, máquinas / futuro, dependências do homem perante as mesmas, etc. É mais ou menos essa a base que seguimos.
Que actividades planeiam para promoção deste álbum?
Tocar, tocar e tocar!
Quais as tuas influências e favoritos?
As minhas principais influências por acaso até são bem distintas. As bandas que mais me marcam são sem dúvida Meshuggah, Nevermore, Morbid Angel e Nile.
Como apresentarias a tua banda a um desconhecido?
“Somos uma banda de metal com peso, muito peso!”
Muito peso mesmo… e como vês a cena actual Portuguesa?... A evolução das bandas e do público?
Penso que estão a aparecer bandas interessantes, estamos a sair um pouco da estagnação. Há boas bandas novas, como Neoplasmah, Morbius, só para citar algumas... Acho que o metal nacional está a evoluir com mais qualidade e para níveis internacionais. Quanto ao público, não sei bem o que dizer… Acho que às vezes as pessoas fartam-se de ver sempre as mesmas bandas e depois há pouca afluência aos concertos. Mas, mesmo assim, acho que já esteve bem pior.
Últimos comentários para os nossos leitores...
Obrigado ao pessoal que nos tem apoiado sempre, iremos continuar a trabalhar para fazer sempre melhor e melhor, isso é garantido! Para quem não nos conhece, sempre pode passar no nosso site www.neuroticband.net e ouvir algo à maneira! ;)
Saúde!
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» Arauto Metalico [Agosto 2004] www.arauto-metalico.pt.vu
Contem-nos um pouco sobre Neurotic.
Ângelo: Bom... Os Neurotic são de Lagos, somos 4 elementos e formamos a banda por volta de 1999. Evoluímos de uma banda anterior que foram os Breakdown. Gravamos uma demo de 8 temas sob essa designação - Incognita - em 2001. Posteriormente, deu-se uma mudança a nível de composição e de sonoridade, gravamos nova demo em 2002 para marcar essa diferença e também a mudança do nome para Neurotic. Nascem aqui os Neurotic com a nova demo e começa-se a trabalhar para um álbum que viria a ser gravado em 2003. Fez-se promoção, Internet, rádios, editoras. E cá estamos agora com o álbum pronto a sair!
Como podem caracterizar o vosso som e quais os temas focados na vossa musica?
Caracterizar o nosso som é sempre difícil devido às diversas influências... Há quem diga death metal, há que diga thrash/death metal, acho que por enquanto até assenta bem essa designação. Não fomos nós que surgimos com ela mas após várias reviews e comentários a referirem essa designação, até eu já a uso... Acima de tudo, temos um som pesado. Riffs pesados irão haver sempre!
Em relação aos temas referidos nas letras, isso é mais a área do João - vocalista - mas posso adiantar que as letras são genéricas. Temas vários como religião, clonagem, máquinas / futuro, etc.
Vós, sendo um grupo coeso desde inicio, têm mais facilidade na composição musical? Em que medida isso acontece?
Posso dizer que sim. Há mais facilidade na composição porque já são muitos anos a tocar com as mesmas pessoas e isso facilita sem dúvida a vários aspectos. Por exemplo, a relação guitarrista / baterista é excelente. Eu faço um riff e a simbiose é imediata. Existe um grande entendimento dos elementos. O baixista sabe o que fazer no sítio certo, nós já sabemos o que esperar da voz, as coisas tornam-se intuitivas até certo ponto.
Já contam com Três trabalhos, sendo o primeiro ainda com o antigo nome, Breakdown. Como os definem ? [a nível de evolução uns para os outros, tipo de sonoridade, etc..]
A fase Breakdown... Consistia mais na base de certos riffs pesados mas mais simples... As estruturas eram mais simples também. Depois deu-se a tal mudança na composição. Estruturas mais elaboradas, riffs mais elaborados, mais peso, mais complexidade ao fim e ao cabo. Gravamos a tal demo de 3 temas em 2002, assinalamos a mudança de nome e a partir daí fomos desenvolvendo os nossos temas naturalmente. O álbum que gravamos foi o pico de todo um trabalho que vinha a ser desenvolvido onde constam os 3 temas da demo anterior e temas novos posteriores à demo e até um tema da demo Incognita que foi recuperado. A sonoridade do álbum é difícil de definir pois os temas são bastante variados o que torna o álbum heterogéneo. Temos um bom equilíbrio nos temas penso... O que se pode esperar do álbum é death/thrash metal poderoso.
Como tem sido a aceitação do vosso som por parte do público?
Nós temos mais feedback é na Internet sem dúvida. O pessoal faz download dos temas no site e as críticas têm sido boas. Tenho a noção que muita gente aguarda o nosso álbum e isso é sempre motivador. Nos poucos concertos, os comentários pós concerto, também têm sido muito bons. Estamos bastante motivados para ver o que acontece aquando do lançamento do álbum e nos concertos de promoção!
Se formos analisar a vossa agenda, pode-se constatar que a maioria dos concertos que deram realizaram-se no Algarve. Que razões apontas para tal situação?
Acho que as razões são bastante óbvias uma vez que somos do Algarve! :) Não mas... mais a sério... Foi onde conseguimos actuar mais, devido à nossa localização, factores monetários, contactos mais fáceis, etc. Os contactos para "fora" não foram muito bem sucedidos, uma banda relativamente desconhecida não tem muitos apoios e as deslocações tornam-se aventuras perigosas. Mas de facto não houve muito apoio para sairmos do Algarve.
Agora falando no Underground Nacional, O que Acham da actual situação do nosso Underground?
Acho que, pelo que me tenho apercebido, estão a aparecer algumas bandas interessantes, estamos a sair um pouco da estagnação que existia, e ainda existe, notei que havia um esgotamento de concertos no sentido em que eram sempre as mesmas bandas a tocar... Há boas bandas novas, identifico-me mais com Neoplasmah, Nephtys, Morbius, só para citar algumas. Acho que o metal nacional está a evoluir para contornos com mais qualidade e para níveis internacionais.
Acham que são dadas muitas oportunidades a bandas mais desconhecidas de mostrar o seu trabalho, ou pelo contrario, o meio nacional é elitista e fixa-se apenas nas bandas mais conhecidas?
Por experiência própria, não existem muitas oportunidades não... Quem organiza concertos prefere fazer cartazes com 5 ou 6 bandas que tocam todas as semanas, e que provavelmente levam o público à exaustão, do que arriscar em bandas desconhecidas. É a noção que tenho, mas também, não sei se é censurável pois organizar concertos para dar prejuízo não é muito motivador de facto. Também há que procurar e mostrar a qualidade... Talvez as bandas desconhecidas se tenham de esforçar mais para ter essas chances. Não se pode ficar à espera que os concertos caiam do céu... A localização da banda é também um factor fulcral sem dúvida.
Na vossa opinião, quais as bandas nacionais que se têm mais destacado?
Na minha opinião, e não falo em nome da banda mas pessoalmente, tal como já tinha mencionado e falando do meu gosto pessoal, posso destacar Neoplasmah e Nephtys, Bleeding Display, Morbius com quem já tocamos e toda a banda Neurotic adorou!... Destaco também, numa outra onda, os Hematoma que estão a revitalizar o thrash dos 80' e são muito boa gente!
Também é noticia, assinaram um contracto com a Dark Music Productions para o lançamento deste último trabalho, o Rebirth of Sin, podem dar mais informações acerca deste assunto? E foi difícil encontrar uma editora que quisesse apostar no vosso trabalho?
De facto assinamos um contrato de distribuição com a Dark Music Productions. É um contrato de distribuição da nossa edição-de-autor do "The Rebirth of Sin". Em relação à dificuldade, houve um grande investimento da nossa parte na qualidade quer sonora quer musical do nosso CD. Depois foi uma questão de fazer promoção... As propostas apareceram e cá estamos. Há que esforçar e tentar sempre. Nunca se sabe, e foi neste espirito que fizemos a nossa promoção!
Que planos têm para o futuro?
Para um futuro próximo, será promover o nosso álbum que deverá sair no fim do verão. Temos composto material novo... Não sei se gravaremos algo brevemente mas para já queremos mesmo é promover o álbum!
Que mensagem querem deixar ao pessoal que ouve ou venha a ouvir o vosso som?
Espero ter oportunidade de mostrar ao vivo o trabalho Neurotic a todo o pessoal que mostra interesse em nós e nos apoia! Para quem não conhece, dê uma espreitadela no nosso site www.neuroticband.net e ouçam qualquer coisa que não dói nada! eheheh Vemo-nos num palco por aí \m/ Saúde!
[topo]
» Opüskulo [15/03/2004] www.opuskulo.cjb.net
Oriundos do Algarve, os Neurotic foram, sem dúvida, uma das melhores surpresas que o Metal nacional me reservou o ano passado. «Rebirth of Sin», o álbum auto-editado, apresenta-se como uma das descargas mais competentes e originais de Death Metal agressivo e ultra-técnico colocando estes Neurotic na linha da frente do estilo no nosso país. Agora é preciso que, a exemplo de muitas outras bandas de enorme talento, não passem despercebidos... Conheçam melhor os Neurotic através de dois elementos do colectivo, Ângelo e João.
Faz-me uma breve apresentação da banda....
Ângelo: Os Neurotic são 4 elementos: o João, o Ino, o Marco e eu próprio. Formamos a banda em 1999 sob o nome Breakdown, depois mais tarde mudamos o nome para Neurotic mas a banda sempre foi a mesma. Gravamos uma demo em 2001 [Incognita], outra em 2002 [Neurotic] e cá estamos agora com o LP "The Rebirth Of Sin".
Os Neurotic aparecem sorrateiramente com excelente registo entre mãos que, na minha opinião, vos coloca num espaço muito próprio dentro do Metal nacional. Porque é que nunca se deram a conhecer antes? Achas correcto certas bandas darem-se a conhecer sem sequer terem entre mãos um registo digno para apresentar?
Ângelo: Não nos demos a conhecer antes apenas por uma questão de fraca divulgação e poucas oportunidades de actuar ao vivo, não foi por opção da banda antes pelo contrário! Aliás, gravamos 2 demos antes de chegar a este LP e sempre tentamos "furar" o meio, só recentemente através da Internet é que temos conseguido divulgar mais o nosso trabalho. Quanto à outra questão, penso que as bandas devem aproveitar todas as oportunidades que lhes dão com ou sem trabalho gravado, nem todas têm possibilidade de gravar uma demo com qualidade razoável. No fim, o público é que decide o que é "digno" ou não e haverá uma selecção natural.
João: Não nos demos a conhecer antes simplesmente porque não tivemos oportunidade para tal. Assim não nos restou alternativa senão apostar tudo num trabalho de qualidade.
Em relação ao segundo ponto, não acho mal as bandas darem-se a conhecer mesmo que o seu trabalho ainda não tenha a devida qualidade. E sempre bom dar concertos para ganhar experiência e de qualquer modo não me compete a mim julgar os outros. Cada um deve ser livre de fazer as suas escolhas.
O facto de residirem no Algarve teve alguma influência com este vosso distanciamento da própria cena underground nacional?
Ângelo: Sem dúvida alguma! No Algarve não se passa nada à excepção de um ou outro festival de Metal. Depois são 3 ou 4 bares para tocar. Também não nos ajuda muito em relação ao intercâmbio de bandas que julgo ser importante. Esperamos vir a mudar esse aspecto se conseguirmos algumas datas no centro e norte do país.
João: Sem duvida, a "cena" metal no Algarve não é propriamente muito forte , mas também é verdade que nos últimos tempos tivemos muito ocupados com a gravação do Cd e encontramo-nos na fase de promoção a editoras, zines, etc. Mas sem duvida que o acordar dos Neurotic deve estar para breve!
"The Rebirth of Sin" apresenta-se como um registo muito acima da média, fugindo a estereótipos do Death Metal, remetendo os Neurotic para uma dimensão, digamos, mais alternativa e mesmo "intelectual" dentro do vosso estilo. Comentários.....
Ângelo: Falando do aspecto da composição dos temas, tento sempre criar algo com contexto e lógica, não é ser previsível mas sim ter sentido, estrutura e não apenas "fazer barulho" ou demonstrar técnica só por mostrar, mas com isto não quero dizer que sigo determinadas regras, para mim não há regras!, há é um propósito para fazer determinada parte de um tema. Talvez por isso haja algo de diferente na nossa música, não sei...
João: Penso que sim, acho que é algo que queremos alcançar, uma sonoridade própria que nos diferencie do resto da cena e acho que estamos no bom caminho para tal.
Um outro factor de relevo é a excelente produção de que este registo beneficia, sendo ainda mais admirável esta estar a cargo da própria banda, provando que não é necessário recorrer a grandes estúdios e produtores caros para conseguir um resultado satisfatório. Algum de vós possui experiência de produção? Se não, dou-vos os meus parabéns....
Ângelo: A única experiência que possuo de produção é a que obtive ao produzir as nossas anteriores demos, de resto sou autodidacta! Mas devo salientar que não é nosso propósito provar a ninguém que não é necessário gravar num estúdio a sério! Simplesmente foi o único caminho que encontramos para fazer algo por nós, porque senão ainda estávamos a tentar juntar uns tostões para gravar uma demo do mais rasca possível! Assim, decidimos arriscar por nossa conta...
Fala-me em relação ao artwork deste CD. Sei que foi idealizado por pessoas ligadas aos Fear Factory, entre outros....
João: O artwork foi feito pela spoon art communications, empresa que dedica-se ao design gráfico, artworks, etc...
Em relação a ligação a Fear factory, no momento penso que não é nenhuma a não ser a de o senhor spoon ser um fanático incontestável de fear factory. É verdade que até há pouco tempo ele estava a desenhar o novo site de fear factory mas parece que já não está no projecto o que é uma pena visto ter imenso talento. Já agora fica a dica. www.spoonartcom.com
A aposta num álbum de Death Metal com quase uma hora de duração é algo arriscada, não achas? Temes que esse facto condicione uma maior exposição e aceitação da banda?
Ângelo: Arriscada? Não creio... Não foi propositado para que assim fosse. Simplesmente juntamos os nossos melhores temas e gravamos. A maior parte dos temas são longos por isso acaba por aumentar a duração total, mas dai a ser arriscado não acho. É o nosso trabalho, quem gostar gosta quer tenha 60 minutos ou 45 penso eu. Acho que existe equilíbrio entre os temas e o LP não se torna cansativo. Agora, quanto ao facto de afectar a nossa exposição concordo pois torna-se difícil fazer divulgação a temas longos, mas isso nunca irá determinar a duração dos temas! Aliás, temos trabalhado num tema novo que tem cerca de 8,40 minutos! portanto...
João: Penso que não, acho que musica com qualidade e sempre bem vinda.
Eu pessoalmente não me queixo se uma banda de qualidade fizer álbuns longos.
Agora se nos temos qualidade ou não, isso vai ficar para os ouvintes decidirem.
Em relação a concertos, como anda a actividade? O que anda a fazer a banda no momento?
Ângelo: De momento temos ensaiado vários sets para alguma oportunidade que venha a surgir para tocar ao vivo mas ainda não temos nada de concreto... Estamos também, em simultâneo, a efectuar a nossa divulgação e a contactar editoras nacionais e estrangeiras, bem como a promover o LP junto de webzines e algumas rádios.
João: De momento nada, no entanto, esperamos dar concertos brevemente, há que fazer os contactos necessários.
Fala-me um pouco das vossas influências enquanto músicos, uma vez que ouvindo este registo não é clara a influência deste ou daquele nome ....
Ângelo: Pessoalmente, gosto de diversos estilos de Metal, de momento talvez ande mais focado no Death Metal em geral e variantes, mas não penso muito nisso quando componho... Tal como disse há pouco: não há regras!
João: Da minha parte, ou seja, vocal e lírica não há muito que possa dizer, a voz não é inspirada em ninguém em especial, é simplesmente a voz agressiva que disponho.
Em termos líricos, as ideias vêm de todo o lado, livros, filmes , TV etc...
Últimas palavras.....
Ângelo: Espero que o público Português reconheça o nosso trabalho e espero também não os desiludir ao vivo, pelo menos tentamos dar sempre 110% de energia no palco! Isso é garantido. De resto, saúde!
[topo]
» Caminhos Metálicos [04/03/2004] http://groups.msn.com/caminhosmetalicos
Neurotic, uma banda recente, formada em 2000. Lançou agora [edição de autor] o seu novo álbum "The Rebirth of Sin". A forte influência deste grupo é a vertente Death Metal. Quem esteve na frente destas respostas foi Ângelo Rodrigues, o guitarrista do grupo.
O que vos inspira? E quais são os vossos ideais?
A mim qualquer coisa me inspira acho eu... Depende do estado de espírito... Normalmente não tenho fontes inspiradoras, costumo ter uma ideia, e depois vou experimentar. Ou então, estou a tocar e surge um riff ou isso... Mas os riffs mais pesados às vezes surgem quanto estou lixado com algo ou alguém :) Isso pode-se considerar inspiração! É aí que entra o estado de espírito... Quanto a ideais que tenham a ver com os Neurotic e à composição em si, não defendo nada em particular nem tento provar nada... Só quero tocar o que gosto e me dá prazer.
Quais as vossas influências?
As influências são diversas... Todos nós ouvimos bandas comuns mas também cada um de nós ouve cenas totalmente diferentes... Falando das minhas, o que mais me tem influenciado é o Death e o Thrash Metal embora goste de mais vertentes. Posso citar os Morbid Angel e só para não ser muito vago...
Vocês têm o vosso próprio estúdio. Nunca sentiram necessidade de usar outro?
Nós temos é uma sala de ensaio que se transforma num estúdio improvisado quando gravamos. Era bom que fosse mesmo um "estúdio"! A necessidade de usar outro estúdio só se verificaria se pudéssemos gravar noutro estúdio durante o tempo que quiséssemos, sem pressões e sem pagar que é o mais importante! Como isso não é assim...
Porque é que decidiram pôr as faixas da demo no vosso cd "The rebirth of Sin"?
As músicas que compusemos para a demo estavam bastante boas e não ficavam atrás das restantes embora com estilos um pouco diferentes... Era uma pena não as regravar! Penso que o álbum ficou bastante homogéneo mas também diversificado! Acho que não tem piada nenhuma 60m do mesmo... Talvez por isso é que normalmente as pessoas escolhem musicas diferentes como as suas preferidas. Sinal que não há só uma ou duas músicas porreiras e o resto para encher!
Planos para a promoção deste?
A promoção já tem vindo a ser feita e tem passado por envio de cds para rádios, zines e editoras. Temos vindo a receber críticas positivas ao nosso álbum que têm essencialmente servido para contactar as editoras. Houve uma grande falha de promoção nossa aquando da demo e não tínhamos críticas praticamente nenhumas ao nosso trabalho então decidimos promover o álbum no underground para chegar às editoras. Não sei se foi a melhor opção porque às vezes surge alguma confusão em relação à edição do cd... Mas foi o caminho que encontramos.
Já existe algum contacto com editoras?
Já existem algumas opções... Em princípio o álbum estará disponível a bem ou a mal, mais cedo ou mais tarde, pelo menos assim o esperamos!
A vossa formação manteve-se inalterada até hoje. Até que ponto achas que isso é positivo?
Acho que só pode ser positivo! Uma vez que não há nenhuma falha em termos de incompatibilidade entre os membros, conflitos muito graves de gostos ou alguma dificuldade técnica por parte de algum membro. Todos nós "remamos" para o mesmo lado e o facto de tocarmos há tanto tempo juntos só nos beneficia... Cada um sabe o que o outro vai fazer, como vai fazer, onde vai falhar - que não devia! Há um maior entendimento entre os membros quando estamos a tocar e acho que só temos a ganhar com isso!
Assim, não têm receio que a vossa musica soe um pouco igual?
Não, não tenho esse receio... Acho que não é suposto uma banda mudar um membro só para soar diferente. A banda tem que ter essa capacidade por si própria e não é a trocar membros que isso se resolve. Se a nossa música vir a soar sempre igual a culpa é da banda e não de sermos sempre os mesmos.
Planos para o futuro? O que podemos esperar de Neurotic?
Num futuro próximo era suposto haver alguns concertos pelo país, pelo menos era o que queríamos fazer! Entretanto seria editar finalmente o álbum... Para o futuro dos Neurotic só se pode esperar peso e mais peso! Já temos umas músicas na manga e não são nada calminhas.
O que pensam da cena nacional?
Não tenho assim grandes comentários a fazer quanto a isso até porque nós andamos um bocado fora da cena... Mas tenho verificado que as bandas nacionais não se ajudam muito umas às outras e há muito individualismo. Felizmente há excepções e temos algumas bandas amigas bem porreiras. Mas o que reina é o espirito do salve-se quem puder. Não sei se seria melhor se assim não o fosse mas o certo é que o azeite vem sempre à tona da água.
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» Metal Incandescente [22/01/2004] http://metalincandescente.blogspot.com
São uma das maiores esperanças do Death Metal feito em Portugal e, atrevemo-nos a dizer, na Europa! Com o álbum de estreia, The Rebirth of Sin, os algarvios Neurotic surpreenderam os fãs e os media e coleccionaram rasgados elogios um pouco por todo o lado. Augurasse-lhes um futuro brilhante mas, incompreensivelmente, as editoras ainda não os descobriram. João Guerreiro, vocalista, e Ângelo Rodrigues, guitarrista e cérebro por detrás do grupo, confessaram os seus pecados ao Metal Incandescente.
Metal Incandescente: Os Neurotic nunca sofreram alterações na formação, o que é de ressalvar. Qual é o vosso segredo?
Ângelo Rodrigues: Sinceramente nunca pensei nisso... Talvez essa situação se deva ao facto de sermos amigos, em primeiro lugar, mesmo antes de existirmos enquanto banda; de nos entendermos musicalmente e de acreditarmos no que fazemos. Nenhum de nós anda a brincar no grupo. Trabalhamos todos para o mesmo e não uns contra os outros. Deve ser isso, não sei...
MI: As acções promocionais que têm desenvolvido em torno do álbum The Rebirth of Sin servem para divulgar ainda mais o nome do grupo mas, essencialmente, para atrair a atenção das editoras. Já receberam propostas?
AR: Sim, já temos algumas opções. Acho que, bem ou mal, o álbum será editado. Pelo menos assim o esperamos! Mas ainda temos de analisar as propostas e ver o que será melhor para a banda.
MI: Mais uma vez estiveste à frente do processo de composição, gravação e produção. Gostas de manter absoluto controlo sobre o material?
AR: Não se trata de ter controlo. O que acontece é que, eventualmente, sou eu o elemento com mais paciência e interesse em fazer esse trabalho. É preciso ter muita predisposição para investigar, aprender, experimentar... São muitas horas investidas, mas confesso que, após três CDs gravados [NR.: além do álbum, também as maquetas Incognita - ainda como Breakdown - de 2001; e Neurotic, do ano seguinte), começo a ter satisfação a fazer este trabalho e não me importava nada de produzir outros CDs, nossos ou de outros grupos!
MI: Fala-me da vossa rotina de composição. Imagino que o facto de usares uma guitarra de sete cordas tenha uma influência determinante no processo.
AR: A guitarra de sete cordas é apenas um meio para compor numa afinação mais grave e, assim, obter um som mais pesado de que sempre gostei noutras bandas, como Meshuggah, Fear Factory, Morbid Angel, etc. Além disso, permite-me solar sem as restrições que uma guitarra de seis cordas na mesma afinação impõe. Acaba por ser um elemento característico dos Neurotic, porque me leva a compor riffs bem pesados e, cada vez mais, exploro a guitarra a outros níveis. Mas quanto ao processo de composição em si, normalmente o Marco [NR.: Reis, baterista] eleva ao máximo potencial qualquer riff que eu escreva, acaba por inserir batidas dez vezes melhor do que eu teria imaginado! Outro aspecto marcante são os solos de baixo do Ino, que esperamos manter. Finalmente, quando temos um tema novo estruturado, o João coloca a voz, adicionando um peso extra ao material. Não há ouvido que aguente! [risos].
MI: João, o tema «New Human Machine» aborda os perigos inerentes à utilização desenfreada da tecnologia. Estamos a caminhar para uma ditadura das máquinas? Ou, como diz a letra, o Homem está a mecanizar-se?
João Guerreiro: Para ser sincero, não gosto muito de falar sobre as letras que escrevo, porque habitualmente encerram vários significados, até mesmo para mim. Mas respondendo à tua pergunta, a letra fala da crescente dependência que a Humanidade tem relativamente às máquinas. Por outro lado, aborda também a própria relação da banda com as máquinas, visto que sem elas não nos teria sido possível gravar o disco. Se em perfeita sintonia, Homem e máquinas podem criar algo de belo, mas não devemos tornar-nos excessivamente dependentes da tecnologia.
MI: Por outro lado, «Deformed» fala acerca das pessoas portadoras de deficiência, geralmente estigmatizadas pela sociedade. Vivemos numa sociedade intolerante?
JG: Não iria tão longe, mas sem dúvida que há muita intolerância. A letra desse tema aborda várias questões. A primeira é o perigo da clonagem humana e as experiências falhadas que possam daí advir. Por isso falei das pessoas portadoras de deficiência, que no futuro poderão vir a ser fruto da ciência. O outro aspecto é que a inteligência humana acabou por se tornar a causa de muitos problemas. A nossa insaciável busca de conhecimento acabou por nos fazer perder a inocência. Como vês, passa-se muita coisa na minha cabeça quando escrevo as letras.
MI: O artwork do álbum é da responsabilidade da SpoonArt Communications, uma empresa que, entre outros projectos, tem no currículo o site dos Fear Factory. Como surgiu a oportunidade de trabalharem com esta empresa?
JG: Conheço o Mr. Spoon há vários anos, logo foi uma opção lógica para ambas as partes.
MI: Quais são os vossos projectos imediatos em termos promocionais?
AR: A curto médio/prazo queremos dar concertos no Norte e Centro do país. As oportunidades não têm aparecido mas vamos continuar a tentar. Entretanto, vamos manter o contacto com as editoras e tentar finalmente editar o CD. Também já andam a surgir alguns temas novos, quem sabe não haverá umas novidades neuróticas a longo prazo! [risos].
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» The Music Basement [21/01/2004] www.themusicbasement.com
Pouco a pouco a música portuguesa, não necessariamente cantada na língua de Camões, tem ganho o seu espaço. Na rádio, na televisão e no circuito nacional, nalguns casos internacional, as bandas portuguesas tem alcançado uma notoriedade cada vez maior.
Mas nem só com pop/rock e hip-hop se constrói o panorama actual da música portuguesa. Do Algarve vem o Death Metal dos Neurotic que recentemente lançaram o seu LP, "The Rebirth of Sin", em edição de autor. Foi com este quarteto da face oculta da música portuguesa que estivemos à conversa.
TMB - Há quanto tempo existem como banda?
Ângelo R. - Os Neurotic surgiram em 1999, embora com outro nome na altura. Mais tarde, quando gravamos a segunda demo em 2002 é que surgiu a designação Neurotic.
TMB - Como se definiriam em termos musicais?
Ângelo R. - Essa questão é um pouco complicada... Acho que as "coisas" vão surgindo naturalmente e com o tempo. Quem conhece o nosso material de Breakdown consegue reconhecer a banda mas no entanto não tem muita coisa em comum. Sempre quisemos fazer musicas que nos agradassem ao nível de quando ouvimos uma banda da nossa preferência. As influências vão mudando mas o objectivo penso que é o mesmo. Não me preocupo muito em catalogar determinado riff ou música, se é thrash, se é death... Se for bom, a gente toca! Mas no geral, temos vindo a ficar mais pesados e técnicos, não que a técnica seja um ponto fulcral, pois existem cenas simples e que são excelentes. Pouco a pouco, o nosso estilo vai-se definindo e há uma serie de características que espero manter, tais como os solos de baixo, certas harmonias e os meus riffs pesados!
TMB - O Deathmetal não tem grande tradição em Portugal, onde foram buscar as vossas influências?
Ângelo R. - As influencias vão surgindo de diversas bandas, países, mas falando do death metal em particular, todos nós gostamos do estilo e ouvimos as bandas mais marcantes do género. Mas aquando da composição deste LP até não haviam muitas influências de death metal, acabou por soar assim... Confesso que de momento temos dois temas novos e esses sim, são muito death metal!
TMB - E o público, como tem reagido ao vosso trabalho?
Ângelo R. - De onde nós temos mais feedback é sem duvida da Internet onde o pessoal ouve os mp3 e regra geral reagem muito bem até! Faz em Fevereiro 1 ano que o nosso site ficou operacional e já conta com mais de 1000 visitas e por aí dá para ver uma reacção bastante positiva. Nos poucos concertos que demos também houve uma boa reacção - por parte dos metaleiros claro - e de resto o pessoal que tem as demos e o LP costuma apoiar-nos sempre.
TMB - Depois do caso em Ílhavo, em que o vocalista de uma banda de Death Metal assassinou os pais, não temem ser olhados com desconfiança pelo grande público =)?
Ângelo R. - Acho que isso seria preconceito. Eu agora não posso tocar a musica que gosto só porque alguém cometeu um crime? Acho que as pessoas não são assim tão tolas que pensam que somos todos uns assassinos só porque alguém o é. Há que ser inteligente.
TMB - Há locais para bandas mais "pesadas" como vocês mostrarem o vosso trabalho?
Ângelo R. - Cá no Algarve, há poucos locais para actuar. Torna-se muito complicado dar concertos. Na nossa cidade nem há um bar sequer onde se possa tocar. Vamos tentar "furar" mais para o centro e norte do país. Espero que com este LP as pessoas reconheçam o nosso valor e nos "deixem tocar". Estamos disponíveis para ir a qualquer lado!
TMB - E apoios?
Ângelo R. - Apoios? O único apoio que temos e não nos podemos queixar é o de termos a nossa sala de ensaio no LAC em Lagos. Sem essa oportunidade não sei se estaríamos a dar esta entrevista...
TMB - Como está a vossa agenda para 2004?
Ângelo R. - Por enquanto não há grande coisa mas andamos a tratar disso. Para já temos o nosso concerto semestral no LAC onde tocam todas as bandas que lá ensaiam. Mas se souberes de alguma coisa diz porque bem precisamos!
TMB - Como vêem o actual estado da música em Portugal?
Ângelo R. - Acho que as pessoas estão cansadas de ver sempre as mesmas bandas nacionais. Também têm havido muitos concertos de bandas internacionais e o pessoal não pode ir ver tudo então... O publico fica escasso. Mas a nível de edições nacionais têm aparecido aí montes de álbuns novos e isso parece-me bom, sinal que as editoras estão a perder o receio de apostar no que é nacional.
TMB - Admiram alguém em particular?
Ângelo R. - Admiro o trabalho de alguns músicos, principalmente guitarristas. Admiro por exemplo o Chuck dos Death que fez uma obra que irá ser lembrada até daqui a muitas décadas. Depois, existem outros músicos que considero serem geniais como o Ihsahn dos Emperor, o Jeff Loomis dos Nevermore, o Fredrik Thordendal dos Meshuggah ou o Trey Azagthoth dos Morbid Angel.
TMB - Falemos agora do vosso EP, quais as diferenças entre ele e as anteriores demos?
Ângelo R. - Penso que as principais diferenças são a qualidade sonora e a qualidade de execução. Existem também temas novos e mais elaborados, outros nem tanto, mas a principal diferença penso que é mesmo a qualidade sonora/execução. Isto falando da diferença entre a 2ªdemo e o LP pois entre a 1ªdemo há uma diferença enorme em termos de influências musicais que nem tem comparação, apesar de termos recuperado um tema de lá!
TMB - E qual foi a reacção dos vossos fãns?
Ângelo R. - A reacção por parte dos fãs penso ter sido bastante boa a julgar pela quantidade de downloads dos temas novos! Vamos ver como o pessoal reage nas nossas futuras actuações.
TMB - Foi um grande esforço, gravarem e produzirem sozinhos este disco?
Ângelo R. - Foi sem duvida... Muitas horas durante muitos meses... Mas se não fosse assim ainda estávamos a juntar dinheiro para gravar uma demo rasca num estúdio qualquer. Penso que valeu o esforço e vamos lá ver se conseguimos obter algum proveito deste cd.
TMB - Está nos vossos planos, re-editarem este disco através de alguma editora?
Ângelo R. - É assim, o LP não está propriamente editado. Nós andamos a contactar diversas editoras nacionais e estrangeiras para editarmos de facto o LP! As cópias existentes têm-se destinado apenas à divulgação junto de algumas zines e rádios. O nosso objectivo tem sido obter algumas reviews para aguçar mais o interesse por parte de alguma editora. Por isso, o nosso plano era exactamente editar por alguma editora. Vamos esperar por feedback, e ver o que acontece...
TMB - Quais são os vossos planos para o futuro próximo?
Ângelo R. - Para um futuro próximo será mesmo dar concertos. Entretanto temos composto temas novos e mais surgirão concerteza. Vamos continuar a contactar editoras e a promover os Neurotic. Depois, logo se vê...
Obrigado pelo vosso tempo.
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